Lançamento será na Flipelô
Casamento no Egito inspira novos livros de Bárbara Carine e Thiago Thomé
Por: Redação
04/08/2026 • 10h03
Há histórias que começam com um casamento. Outras começam com uma viagem. A de Bárbara Carine e Thiago Thomé reúne as duas experiências e transforma uma celebração de amor em um projeto editorial. No dia 8 de agosto, exatamente dois anos após realizarem uma cerimônia simbólica de casamento nas Pirâmides de Gizé, no Egito, a escritora, educadora e vencedora do Prêmio Jabuti e o multiartista lançam, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), no Largo Tereza Batista, em Salvador, às 16h, os livros “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas” e “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári”.
A ocasião marca também a apresentação da Atotô Editorial, selo criado pelo casal em parceria com a Editora Caxinguelê, dedicado à publicação de obras comprometidas com perspectivas negras, afrocentradas e decoloniais. Antes de Salvador, os livros ganham lançamento nacional no Rio de Janeiro, no dia 03 de agosto.
A chegada à Flipelô representa um reencontro entre as obras e um território profundamente marcado pela memória africana. É nesse contexto que os livros chegam aos leitores baianos: como resultado de uma travessia que uniu pesquisa, imaginação, ancestralidade e literatura. Ambos os livros já estão com pré-venda na Amazon, no valor de R$59,90 (cada).
“Celebrar esses livros na Bahia, durante a Flipelô, tem um significado muito especial. Foi daqui que partimos para viver uma experiência que transformou nossas vidas e foi para cá que voltamos com o desejo de escrever. Lançar essas obras exatamente dois anos depois da cerimônia nas Pirâmides de Gizé é reconhecer que aquela viagem continua produzindo conhecimento, afeto e novas possibilidades de criação”, afirmam Bárbara Carine e Thiago Thomé.
Uma viagem, dois livros
Em agosto de 2024, Bárbara Carine e Thiago Thomé atravessaram o Egito durante dez dias. Da região do Cairo ao extremo sul do país, na fronteira com o Sudão, percorreram templos, museus, sítios arqueológicos e comunidades núbias, em uma imersão que extrapolou o turismo e se transformou em experiência de investigação histórica, espiritual e afetiva. Ao retornarem ao Brasil, compreenderam que aquela vivência precisava continuar.
Mas, cada um escolheu um caminho diferente para contar essa história. Bárbara transformou a experiência em um livro de não ficção que revisita Kemet a partir de uma perspectiva afrocentrada, reunindo história, arqueologia, filosofia, geografia, educação e relações étnico-raciais. Thiago escreveu um romance de aventura que acompanha um arqueólogo negro brasileiro em uma investigação repleta de mistérios, conspirações e disputas pela preservação do patrimônio africano.
As duas obras inauguram também a Atotô Editorial, um selo que nasce comprometido com a publicação de livros que ampliem o espaço para autores e autoras negros, fortaleçam perspectivas afrocentradas e promovam novas formas de compreender a história, a literatura e a produção de conhecimento. “A Atotô nasce porque queremos publicar livros que ampliem repertórios, fortaleçam outras narrativas e contribuam para que mais autores negros encontrem espaço no mercado editorial brasileiro”, destaca Thomé
O Egito negro como território de memória
Em “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas”, Bárbara Carine convida o leitor a percorrer uma jornada que articula pesquisa acadêmica, relato de viagem e reflexão educacional para revisitar uma das civilizações mais importantes da humanidade. Distanciando-se das interpretações eurocêntricas que historicamente afastaram o Egito de sua identidade africana, a autora apresenta evidências históricas, arqueológicas e filosóficas que reafirmam Kemet como uma civilização negra.
Num diálogo íntimo com o leitor, Bárbara Carina demonstra como esse apagamento repercute, ainda hoje, na educação, na produção de conhecimento e na construção das identidades negras. Sem assumir o formato de um livro didático, a obra aproxima rigor científico e escrita sensível, transformando a experiência vivida pela autora em um convite para que leitores, estudantes, educadores e pesquisadores reconstruam suas referências sobre a história da África e da humanidade.

